Um homem e dois problemas

I Reis 17:8-24

Elias foi usado por Deus em situações extremas.

Multiplicou a farinha e o azeite da viúva, evitando sua morte e de seu filho, que já não tinham mais qualquer esperança de continuarem vivos por causa da seca e fome em Sarepta.  Inexplicavelmente, depois desse tremendo milagre, Deus permite que o filho da viúva morra.

“Depois disto adoeceu o filho da mulher, da dona da casa, e a sua doença se agravou tanto que ele morreu” (v. 17).

Essa situação poderia ter levado Elias a se sentir desobrigado de atuar, afinal esse segundo desafio se apresentava bem mais difícil que o primeiro; tratava-se agora da ressurreição de uma criança;  era uma situação onde apenas um milagre resolveria e milagres não são da alçada humana,  principalmente de “um homem sujeito às mesmas paixões que nós”, como diz Tiago.

A perplexidade deve ter dominado seus sentimentos por um bom tempo.  Porque ser usado com tanto poder multiplicando o alimento para manter-lhes a vida e logo depois ver o menino morrer sem poder fazer nada?

Vemos nessa experiência de Elias a diferença entre aqueles que vão apenas até onde a obrigação lhes exige e nunca transcendem os limites do possível e do natural, e aqueles que não seguem apenas a sua razão, mas a direção que o Espírito lhes dá.

Sua autoridade espiritual fica evidente no momento em que, ao invés de se desculpar e se omitir, toma novamente o problema em seus braços e confia na providencia de Deus:

“Elias lhe disse: Dá-me o teu filho; tomou-o dos braços dela, e o levou para cima, ao quarto, onde ele mesmo habitava, e o deitou em sua cama.  Ele clamou ao Senhor e a alma do menino tornou a entrar nele” – v. 19-21.

Nesta atitude de Elias percebemos duas características marcantes do verdadeiro servo de Deus:

  • Sabe tomar o problema em seus braços no momento certo.
  • Não delega, nem transfere sua responsabilidade. Leva o menino para o lugar em que ele mesmo habitava. Ele não tinha a solução para o problema da mãe que perdera o seu filho, mas sabia onde encontrá-la.  Levou o menino para o quarto, deitou-o na cama e começou a clamar ao Senhor.

A marca que distingue os homens de fé dos homens comuns é a sensibilidade em perceber quando essa barreira pode ser quebrada.  É o que Paulo chama em I Cor. 12:9 de “o dom da fé”.  Dom, não força de vontade ou desejo ardente de que alguma coisa aconteça.  É a teimosia em seguir confiando, quando todos os demais já pararam ou retrocederam.

O sentir-se desobrigado em ir além do humanamente possível tem nos levado a perder grandes bênçãos e manifestações generosas da graça de Deus em nossas vidas e na vida da igreja.

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