Demissão sem justa causa
“E se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” – II Timóteo 4:4.
Um professor de uma escola primária de Oldham, na Inglaterra, foi demitido após dizer aos alunos que o Papai Noel não existe. A escola preparou uma carta para pedir desculpas aos pais.
“Meu filho chegou em casa e disse que o professor substituto contou para a turma que o Papai Noel não existe. Ele afirmou, ainda, que eram os pais que compravam os presentes. Meu filho quase chorou ao me contar o que aconteceu. Ele tem apenas 7 anos e estava encantado com a magia do Natal”, completou a mãe.
A notícia acima, publicada no portal Terra, é típica dos dias em que vivemos. Se o professor tivesse afirmado em sala de aula que Deus não existe estaria empregado até hoje, mas o coitado foi matar logo o papai-noel.
É menos perigoso atacar Deus. Todos os dias ao redor do mundo, milhares de professores ensinam, das mais variadas formas, que Deus é um mito, que o mundo de originou de uma explosão, que viemos do macaco e somos produto do acaso, etc… e, nem por isso, têm os seus empregos ameaçados.
Ficam desempregados, porém, se questionam uma lenda que já deveria ter perdido força depois de tantos anos de uso. Que raciocínio estranho esse, vindo de educadores de um país do primeiro mundo, humanista, cético e racional nos assuntos espirituais e morais, mas extremamente simpático a uma lenda que nenhum adulto acredita, mas que deve continuar a ser impingida às crianças.
No entender desses educadores, revelar a uma criança que papai-noel não existe pode lhe trazer danos psicológicos, frustrá-la talvez. Ensiná-la, porém, das mais variadas formas que não há um Deus criador, que ela é um sub-produto do acaso, uma molécula mais desenvolvida, sem referências, sem esperança de eternidade… Não, isso não agride; com certeza, não lhe causará maiores danos.
A substituição de Deus por um mito travestido de bondade é uma metáfora para o fato de os homens não mais serem capazes de crer num Deus criador e transcendente, o que os levaria a uma rejeição dos valores absolutos e, por fim, à descrença em quaisquer valores.
Os holandeses, no século 17, levaram para os Estados Unidos a tradição de presentear as crianças usando a lenda de São Nicolau. O símbolo de Santa Claus foi logo utilizado pela publicidade comercial. Em 1931, a Coca-Cola encomendou ao artista Habdon Sundblom a remodelação do Santa Claus para torná-lo mais aceitável ao público. Sundblom se inspirou em um vendedor aposentado e assim nasceu – de uma propaganda da Coca-Cola! – o Papai Noel que a gente conhece.
Vemos, portanto, que é mais fácil e menos comprometedor renegar o Deus eterno, sem princípio e nem fim, criador de todas as coisas, do que o mito originado de uma lenda que data de poucos séculos, adaptada para os nossos dias pela mídia moderna.